sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

A diferença

 Irmão X

 


A reunião alcançava a parte final, e, na organização mediúnica, Bezerra de Menezes retinha a palavra.


O Benfeitor distribuía consolações, quando um companheiro o alvejou com azedume:


– Bezerra, não concordo com tanta máscara no ambiente espírita. Estou cansado de ser hipócrita. Falo contra mim mesmo. Posso, acaso, dizer que sou espírita-cristão?


Vejo-me fustigado por egoísmo e intolerância, avareza e ciúme; cometo desatenções e disparates; reconheço-me frequentemente caído em maledicência e cobiça; ainda não venci a desconfiança, nem a propensão para ressentir-me; quando menos espero, chafurdo-me nos erros da vaidade e do orgulho; involuntariamente, articulo ofensas contra o próximo; a ambição mora comigo e, por isso, agrido os meus semelhantes com toda a força de minha brutalidade; a crítica, o despeito, a maldade e a imperfeição me seguem constantemente.


Posso declarar-me espírita-cristão com tantos defeitos?


O venerável Bezerra de Menezes respondeu sereno:


– Eu também, meu amigo, ainda estou em meio de todas essas mazelas e sou espírita-cristão...


– Como assim? – revidou o consulente agitado.


– Perfeitamente – concluiu Bezerra de Menezes, sem alterar-se. – Todas essas qualidades negativas ainda me acompanham... Só existe, porém, um ponto, meu caro, que não posso esquecer. É que, antes de ser espírita-cristão, eu fazia força para correr atrás de todas elas e agora, que sou cristão e espírita, faço força para fugir delas todas...


E Bezerra de Menezes, sorrindo:


– Como vê meu amigo, há muita diferença.  



Do livro Momentos de Ouro, capítulo nº 12, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier, de autor

ia de Espíritos diversos.


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